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O HOMEM QUE BURLOU A MÁFIA (Charley Varrick, 1973), de Don Siegel

Aproveitei esses dias de folga para conferir algumas coisas interessantes. E a primeira a ser riscada da lista é essa maravilha do Don Siegel, diretor que eu só não virei fã até agora porque ainda não me comprometi com seu cinema de maneira correta. Só vi o básico: DIRTY HARRY (71), VAMPIROS DE ALMA (56), THE KILLERS (64, sensacional), FUGA DE ALCATRAZ (79)... o suficiente pra saber que preciso mesmo dar mais atenção para o sujeito, especialmente depois de CHALEY VARRICK, um filmaço, típico thriller policial setentista, com excelentes atuações e uma direção cuja única pretensão é ser o mais simples possível. E quando se trata de um mestre deste calibre, o “simples” me deixou babando do início ao fim.
A cena inicial do assalto ao banco e que culmina na fuga de carro é uma puta aula de cinema. É a única sequência de ação movimentada do filme, que é todo estruturado num ritmo calmo, explorando ao máximo o desenrolar da trama, aprofundando nos personagens, etc. O roteiro sem firulas, repleto de situações e diálogos memoráveis (uma das inspirações de Tarantino em PULP FICTION), é inteligente e Siegel o conduz com objetividade e maestria, confiando na perspicácia do público, algo raro no cinema americano atual.
O elenco de tirar o chapéu é encabeçado por Walter Matthau, interpretando o personagem do título original, um ex-piloto acrobático que vira assaltante de banco. Na trama, um roubo comum num pequeno banco do interior, acaba em tragédia quando descobre-se que a grana roubada - uma quantia extremamente maior do que o esperado - pertencia à máfia e o local servia como lavagem de dinheiro. No resto do elenco, quem se destaca é Joe Don Baker, impecável no papel de um frio assassino profissional encarregado pelo crime organizado de descobrir os responsáveis pelo furto, e também Andrew Robinson na pele do afoito e inexperiente comparsa de Varrick.

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